pixel

O crescimento sustentável da economia brasileira daqui para frente dependerá do avanço da produtividade do trabalhador, o que só será possível pela persistência na agenda de reformas, conclui um novo estudo sobre o tema do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

Publicado na seção em Foco, no Boletim Macro do Ibre/FGV, o trabalho mostra que a renda per capita – que consiste no Produto Interno Bruto (PIB) dividido pela população – cresceu 0,9% ao ano de 1981 a 2018. Desse resultado, a produtividade da hora trabalhada contribuiu com 0,4 ponto percentual ao ano.

O estudo assinado pelos pesquisadores Fernando Veloso, Silvia Matos e Paulo Peruchetti mostra que a renda per capita cresceu acima da produtividade porque outros fatores relacionados ao mercado de trabalho (taxa de ocupação e de participação, por exemplo) e populacionais, como o chamado bônus demográfico, contribuiram no período.

“Os fatores que permitiram que a renda per capita crescesse acima da produtividade desde o início da década de 1980 não contribuirão positivamente no futuro”, acrescenta o estudo, destacando o esgotamento do chamado bônus demográfico, que contribuiu só com 0,1% ao ano para o avanço da renda per capita de 2014 a 2018.

Dividida por períodos a partir dos anos 80, a renda per capita teve seu pior desempenho entre 2010 e 2018, quando recuou 0,2% ao ano. É uma resultado inferior, inclusive, ao período de 1981-1990 (+0,3% ao ano), a chamada década perdida. Naquela período, a produtividade do trabalho jogou contra, mas também foi compensada pelos fatores demográficos.

Para o Ibre/FGV, a lenta recuperação do crescimento econômico desde o fim da recessão, que durou de 2014 a 2016, pode estar associada ao fraco desempenho da produtividade do trabalho, que ficou estagnada em 2018 e teve queda nos três primeiros trimestres do ano passado – e que deve ter registrado nova taxa negativa no fechamento de 2019.

No ano passado, o Instituto Brasileiro de Economia da FGV lançou o site Observatório da Produtividade, que reúne dados sobre produtividade da economia brasileira, além de estudos e análises sobre o assunto. Para o instituto, o tema é uma das preocupações centrais para o debate em torno do desenvolvimento econômico brasileiro.

Fonte: Valor Econômico