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Em decorrência da exploração de seus recursos naturais desde o início do século XX, o planeta vem sofrendo impactos negativos, muito aparentes recentemente. O contexto faz com que energias renováveis, como solar, eólica e geotérmica, sejam vistas como uma das soluções para o futuro. No setor imobiliário, edificações que utilizam tais energias para alcançar alta eficiência do ponto de vista energético são conhecidas como Edifícios de Energia Zero ou Zero Energy Building (ZEB).

De acordo o Balanço Energético Nacional (BEN) 2019 realizado pela EPE (Empresa de Pesquisa Energética), o setor residencial foi responsável por 25,4% do consumo energético no Brasil em 2018, enquanto o setor comercial, por 16,9%. Em relação à oferta de energia, a hidroelectricidade lidera com 66,6%, seguida pelo gás natural (8,6%) e pela biomassa (8,5%).

Em decorrência desse alto consumo de energia residencial e comercial, os ZEBs são considerados uma solução, uma vez que apresentam “consumo zero” de energia, ou seja, a quantidade total de energia utilizada, em uma base anual, é aproximadamente igual à quantidade de energia renovável produzida. Esta, pode tanto ser gerada no local (on-site) quanto adquirida de outras fontes de energia renováveis (off-site).

Desse modo, existem duas classificações para estes empreendimentos: net zero site energy e net zero source energy. Na primeira delas, a edificação é completamente autônoma energeticamente, enquanto na segunda, não consegue gerar tudo o que consome, cobrindo o déficit com energia de fontes renováveis externas.

Existe, inclusive, a certificação Brasil Zero Energy, do GBC (Green Build Council), que premia empreendimentos com equilíbrio entre o consumo e a geração de energia por fontes renováveis. Atualmente, o Brasil possui 23 selos, sendo 10 deles no Paraná, cinco em São Paulo, três em Santa Catarina, três em Minas Gerais, um no Mato Grosso e um na Bahia. Eles variam entre prédios comerciais, condomínios verticais, indústrias, edificações públicas e até residências. Confira aqui.

Porém, para ser considerada uma edificação 100% sustentável, ainda necessitam ser analisados outros aspectos ambientais como gestão da água, de resíduos, acessibilidade etc. Neste caso, a premiação do GBC é a LEED (Leadership in Energy and Environmental Design).

Arquitetura da edificação

A execução de projetos de eficiência energética exige um trabalho arquitetônico impecável, com utilização da chamada arquitetura bioclimática. Isso porque através de um projeto inteligente é possível reduzir a iluminação artificial e a necessidade de sistemas de climatização.

Nesse sentido, leva-se em consideração diversos aspectos, como dimensão e posicionamento de janelas, orientação solar da edificação, isolamento térmico, dimensionamento e planejamento de varandas, abas e lajes, entre outros. Todos estes aspectos atuam em conjunto, como explica Rafael Ribeiro, diretor técnico de Energias Renováveis da Petinelli, que tem a sua sede, em Curitiba (PR), certificada como Zero Energy pela GBC.

“A primeira coisa que deve ser pensada é a eficiência energética da edificação. O empreendimento deve ser tratado como um organismo único e unir fatores que influenciam para um menor consumo de energia, antes de se pensar na produção de energia em si. A climatização, por exemplo, está totalmente ligada com a envoltória: os vidros, o telhado, a pintura, o posicionamento etc. Uma má combinação de fatores gera gastos com ar condicionado acima do necessário, pois o prédio tem que vencer as cargas externas”, explica.

Já em relação à produção de energia, existem algumas opções para os Edifícios de Energia Zero, sendo painéis solares fotovoltaicos e turbinas eólicas as mais comuns. Também podem ser utilizados sistemas de resfriamento do ar com rejeito de calor via geotermia, para o solo próximo à edificação, e sistemas de climatização por adsorção, com coletores solares e geração de calor com biomassa.

Porém, o alto desempenho dessas tecnologias também depende de um projeto arquitetônico estratégico, o que torna muito difícil a adaptação de um prédio já construído em um ZEB. “A energia que produzimos é fotovoltaica, com painéis no telhado orientados ao norte, otimizando o sistema. A localização também é importante e nós estamos em uma região baixa, com poucos prédios altos, aumentando a incidência de luz solar”, diz Ribeiro.

Retorno do investimento 

Um projeto de muito sucesso, inclusive, pode ter excedentes de energia. Nestes casos, a legislação brasileira ainda não permite venda para rede pública, como já ocorre na Alemanha e nos Estados Unidos. “O que é possível fazer é injetar este excedente na rede e após cinco anos ser recompensado com energia, mas não financeiramente. Ou seja, não é possível vender, mas ganhar créditos que podem ser utilizados em uma época de menor produção de energia. No caso da fotovoltaica, isso ocorre no inverno”, garante.

Os poucos números de ZEB no país se justificam no alto custo inicial do empreendimento e à visão de curto prazo por parte dos empreendedores. Aliado a isso, também existe reduzida oferta de financiamento específico. Entretanto, a longo prazo, o investimento tem retorno, de acordo com o diretor da Petinelli.

“Realizamos construções desse tipo que se pagaram em dois ou três anos, o que é um retorno muito atrativo. Até mesmo se não pensarmos na produção de energia, mas apenas em uma arquitetura que gere menos consumo em determinado empreendimento, já vale a pena o investimento”, conclui.

Fonte: Smartus

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