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A adesão a novas tecnologias nos mais diversos ramos do mercado tem sido essencial para a sobrevivência e o crescimento dos negócios. Um dos mais conservadores, o setor construtivo ainda vem absorvendo a ideia de que inovações, como a inteligência artificial, podem ser importantes em seus próximos passos, a fim de acelerar e aperfeiçoar processos, além de reduzir custos. Segundo dados do McKinsey, a produção anual do ramo cresceu apenas 1% entre 1995 e 2014, enquanto a economia geral cresceu 2,7%.

A inteligência artificial, ou AI (artificial intelligence, em inglês), é um termo que designa mecanismos ou softwares capazes de desenvolver ações cognitivas dos humanos, como o reconhecimento de padrões, solução de problemas e aprendizagem. Na área da construção, ela é capaz de aumentar a produtividade de 5 a 10 vezes ao introduzir sistemas automatizados, assim como vem ocorrendo em outros setores, de acordo com a McKinsey.

Como consequência, o machine learning, ou aprendizagem automática, utiliza, a partir de AI, técnicas estatísticas que permitem ao computador aprender sem ser explicitamente programado, e, então, fazer previsões. Ou seja, a máquina é capaz de acessar dados e desenvolver seu aprendizado de acordo com o que lhe é fornecido, tornando-se apta a fazer intuições. Na construção, tal sistema pode, por exemplo, informar aos gerentes de obras sobre um quesito que merece atenção especial, conforme mostraremos ao longo dessa matéria.

As aplicações de tais técnicas na construção civil e, consequentemente, no ramo imobiliário, são vastas, partindo desde o processo de escolha do terreno até a etapa de comercialização. Por esse motivo, algumas empresas, principalmente no exterior, vêm introduzindo as tecnologias nos seus processos visando se aproximar cada vez mais do que deve ser o futuro da indústria.

Pré-construção

No Brasil, país com histórico de problemas fundiários, como sobreposições de terra e grilagem, a inteligência artificial pode ser utilizada já no processo de escolha do terreno. Neste caso, ela cruza dados e realiza um levantamento completo de informações sobre a situação de um terreno, evitando que se perca tempo e dinheiro com visitas.

A startup Busca Terra, que integra a GRI Tech Club, presta esse tipo de serviço, baseada em características de terreno que o cliente ou parceiro procuram, como explicou o CEO Rafael Fonseca no Smartus Fórum Imobiliário de Brasília. “Estamos com um case para uma incorporadora de investidores chineses. Eles procuram terrenos no Estado de São Paulo com características específicas. No mesmo dia da solicitação, entregamos todos os imóveis encontrados com informações sobre topografia, proximidade, regularização, preço, nome e contato do proprietário”, disse.

A inteligência artificial também pode ser utilizada para definir o design da construção. Softwares 3D exploram as mais variadas opções de design em função de um determinado terreno. Nesse processo, a AI leva em conta aspectos de engenharia, arquitetura, mecânica, elétrica e hidráulica. Uma das empresas referência neste serviço é a norte-americana Deepblocks, fundada em 2016. Entenda assistindo ao vídeo abaixo.

Ainda existe a possibilidade de utilizar AI na elaboração do projeto de obra, baseado em seu tamanho, tipo de contrato e até na competência dos gerentes de obra. Esse tipo de plataforma permite prever o tempo para término da edificação, além dos possíveis custos excedentes, a fim de auxiliar a incorporadora no remanejamento do orçamento do projeto. Os resultados obtidos após a finalização da obra ainda são computados e utilizados como base para construções futuras.

Construção

As tecnologias derivadas de inteligência artificial também podem tornar o canteiro de obras mais eficiente em diversos sentidos, o que beneficia o ROI (Retorno Sobre o Investimento) das empreiteiras. A inovação permite que a gestão da obra seja constantemente acompanhada por softwares que trabalham para diminuir os riscos em parâmetros como qualidade, segurança, tempo e custo.

Câmeras inteligentes, com auxílio do reconhecimento facial, podem monitorar a produtividade dos trabalhadores e a conformidade dos procedimentos, indicando se o volume de funcionários ou materiais está sendo suficiente em determinada construção. A empresa brasileira Connect Data é uma das que realiza o rastreamento do canteiro, permitindo acompanhar em tempo real a movimentação e localização dos principais insumos, ativos e pessoas do canteiro de obras sem necessidade de intervenção humana.

Com outras plataformas de AI, também é possível identificar violações do código de normas regulatórias, como em procedimentos operacionais, seja pelo descumprimento de requisitos em certificações válidas ou pelo não uso de equipamentos de proteção adequados. As informações são cruzadas com o registro de acidentes e fornecem um briefing para os gestores, permitindo que tenham noção das situações de risco dentro daquela construção. Uma das pioneiras nesse serviço é a norte-americana Smartvid.io.

A produtividade das obras também pode ser impulsionada com a adesão de tecnologias de AI em relação ao maquinário, ou seja, a robotização dos canteiros. Vêm sendo desenvolvidas novas máquinas auto-dirigíveis para realizar tarefas mais eficientes e rápidas que os humanos, como no despejo de concreto, alvenaria, soldagem e demolição. No caso da escavação, ainda é necessário o auxílio de um programador humano. A Volvo é uma das que vêm investindo nesse tipo de inovação, como demonstrado no vídeo a seguir.

Além disso, outras máquinas autônomas já fabricam componentes de edifícios, como paredes, que posteriormente são montados por humanos no canteiro de obras. Essa inovação, assim como outras possibilitadas pela inteligência artificial, limitam a ação humana para os detalhes dentro das construções civis, tornando o processo mais ágil e qualificado.

Por todo o exposto até aqui, fica claro que a inteligência artificial resulta em vantagens competitivas relevantes para projetos imobiliários, da elaboração do projeto à edificação. Não que a transformação necessite ocorrer da noite para o dia, mas é sensato incluir no rol de investimentos aplicações cada vez mais robustas em tecnologia.

Fonte: Smartus

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