
INTERLIGAÇÃO DO PORTFÓLIO DE MATERIAIS COM MODELOS BIM PROMOVE MELHORIA NA PRODUTIVIDADE E EXECUÇÃO DA OBRA
O Supreme Home Club é um empreendimento do portfólio de alto padrão da Rôgga Empreendimentos, localizado na cidade de Joinville, em Santa Catarina.
O empreendimento é de torre única com 19 pavimentos, executada em concreto armado com laje nervurada tipo cubeta. Contempla 101 apartamentos e 6 salas comerciais e uma vasta área comum como: coworking, pet place, piscinas, bike station, sauna a vapor, entre outros.

Solução técnica
implementada
implementada
Solução técnica
implementada
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Solução técnica
implementada
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Solução técnica implementada
Após o amadurecimento em projetar edificações em âmbito virtual, possibilitando gerar modelos tridimensionais dentro de um ambiente de trabalho colaborativo e centralizado, sentiu-se a necessidade de avançar na metodologia BIM e ampliar seu emprego para otimização das demais áreas da cadeia produtiva.
Antes desta melhoria, existiam diversas fontes de informação que deveriam ser as mesmas em todo o processo. Porém, como essas fontes tinham falhas de comunicação entre si e de integração, elas corriam grande risco de não ter o mesmo conteúdo e ocasionar retrabalho e decisões errôneas.
O BIM busca centralizar a informação em um único local para atender todo o processo, diminuindo erros de comunicação e possibilitando uma maior integração ao longo da construção.
As áreas de orçamentos e suprimentos são as maiores beneficiadas, visto que, quando feito de forma manual, demandava tempo e poderia acarretar erros que impactariam a compra de materiais com especificações incorretas ou em quantidades superiores ou inferiores ao necessário. Foram envolvidos também os projetistas que, a partir disso, aprimoraram o desenvolvimento dos projetos voltados a soluções já cadastradas.
Os escritórios de projetos envolvidos no desenvolvimento do Supreme Home Club e, consequentemente, do processo de implantação da inovação, foram receptivos à ideia da inserção dos códigos de insumo ao entender sua aplicabilidade dentro da Rôgga.
Todos precisaram adequar os seus processos internos, investir no seu corpo técnico, em equipamentos e softwares para atender a demanda e aumentar a eficiência e produtividade da elaboração dos projetos. Foi essencial a capacitação dos projetistas no quesito de atendimento aos documentos internos da Rôgga, para garantir o êxito na entrega. O processo contou com várias metodologias de coordenação de modelos e de gestão de comunicação.
O processo de checagem da qualidade da informação gerada no modelo pôde ser automatizada com ferramentas específicas justamente pela existência dessa informação em modelos, o que também trouxe agilidade e segurança para o processo.
A empresa possui um portfólio próprio de materiais e serviços codificados que estão atrelados a um sistema ERP (Enterprise Resource Planning).. O processo orçamentário interligava as especificações de projeto à codificação do portfólio de forma manual. Após a implantação do BIM, com os dados do portfólio em mãos, a inserção dos códigos é feita no modelo através de parâmetros. Por exemplo, cada tipo de esquadria está atrelada a um código, que é vinculado ao objeto modelado e este carrega informações suficientes que suprem etapas do orçamento e compra de materiais. Além disso, existe uma checagem que é feita de forma automatizada, que verifica se o objeto existe no portfólio, se necessita ser cadastrado ou se não foi codificado. Essa verificação indica o número de elementos corretos, possibilitando gerenciar a acurácia de informação dentro do modelo.
Outro ganho do processo, é que os materiais são relacionados à etapa produtiva através de uma EAP (Estrutura Analítica do Projeto) dentro do modelo e este distribui as quantidades dos materiais em cada atividade de obra. Isso traz maior segurança, assertividade e produtividade nos levantamentos quantitativos no ERP.
Principais resultados obtidos
A nova metodologia de orçamentação permite agilidade no entendimento dos projetos e na extração dos quantitativos, estima-se que a agilidade no processo orçamentário é de no mínimo 20% maior diante do processo antigo. A inserção da codificação do portfólio de materiais nos modelos gerou uma maior padronização, um vínculo com os insumos disponíveis e antecipação no processo de cadastro de novos materiais. O modelo também permite uma maior rastreabilidade gerando dados para análises e histórico de obras.
A interligação do portfólio de materiais com o BIM resultará em ganhos financeiros nas inconsistências orçamentárias de aproximadamente 70% em comparação aos projetos anteriores devido a uma maior acurácia das quantidades e da especificação correta dos materiais previstos para a execução do empreendimento.
Houve uma melhora significativa na análise e extração dos quantitativos do projeto.
Este foi o primeiro empreendimento com este processo, em que foram identificados ganhos e também oportunidades de melhoria do que foi executado. Presume-se que ao longo do atingimento da maturidade desse processo, os ganhos apresentados serão em torno de uma redução de 20% no tempo de elaboração dos orçamentos.
O prazo total da obra não apresenta alteração mediante à solução implantada, uma vez que a melhoria atua nas fases anteriores ao processo de produção.
Involuntariamente, os resultados apresentam um projeto vinculado ao portfólio de materiais que serão comprados ao longo da obra, o que impacta na assertividade de suprimentos, ratificando o prazo de entrega inicial e evitando sobra de material.
Tivemos impacto na capacitação da mão de obra, desde a origem da informação externa até a manipulação com o time interno.
Esse movimento estende-se para todos os processos que envolvem BIM, uma vez que a tecnologia está inserida na rotina de trabalho.
A automatização das extrações de quantitativo impacta na produtividade e acurácia do time, possibilitando que durante a elaboração do orçamento executivo as etapas subsequentes de análise ocorram com maior detalhamento e assertividade.
Para a questão ambiental há ganhos relacionados à geração de resíduos devido a diminuição das perdas por falha de quantitativo e especificação de material incorreto.
Na parte social, existe a necessidade de investimento em capacitação do corpo técnico. Quanto à economia, a especificação padrão reduz a variabilidade de insumos, o que permite a compra em volume, reduzindo os custos e perdas.
O processo de desenvolvimento de um produto integrado à interface BIM beneficia toda esteira produtiva, proporcionando segurança para os gestores quanto ao atendimento aos aspectos essenciais para a saúde da empresa e relacionamento com agentes externos.
Houve uma notória capacitação dos projetistas, permitindo realocar esforços que antes eram aplicados em produções manuais para esforços de buscas por soluções mais eficientes.
Na orçamentação, as listas de quantitativos estão parametrizadas de acordo com as necessidades da empresa, sendo este o grande diferencial na implementação do sistema. Além disso, reduz a necessidade de cadastro de novos insumos devido a homogeneidade e assertividade na especificação de materiais.
Em planejamento, consegue-se cravar as atividades de caminho crítico garantindo maior confiabilidade na evolução físico-financeira do empreendimento. Garante-se também que todas as incompatibilidades de especificação de materiais já foram pré analisadas e tratadas.
Para a Rôgga, todos os novos projetos posteriores ao Supreme Home Club estão sendo concebidos com essa inovação.
Para outras tipologias de obra que forem modeladas, o mesmo processo pode ser replicado com alta taxa de reutilização de obras, o que também reduzirá significativamente o tempo de projetos posteriores.
Visando garantir uma maior assertividade da informação inserida no modelo, torna-se importante que o portfólio de materiais seja consolidado e de entendimento das pessoas envolvidas.
Além disso, é importante garantir que o código inserido é verídico com a especificação do material projetado.
É necessário garantir que o software utilizado pelo projetista permita a inserção de códigos de insumos.
O treinamento é fundamental para o sucesso deste processo.
Este empreendimento foi o primeiro a ter essa solução completa. Como o projeto teve sucesso, o mesmo foi implantado no processo de criação de produtos padronizados da construtora e com ele foram adequadas as melhorias observadas na fase de piloto.
O próximo passo é a coleta de novos indicadores de produtividade com relação aos ganhos nas próximas etapas da esteira.